Tróia Intelligence

Empresa Tróia

Artigos

Economia

14/04/2015

Cenrio 2015


A presidente Dilma Rousseff (PT), reeleita em Outubro de 2014, com margem de apenas 3% sobre seu adversário Aécio Neves (PSDB), inicia seu governo em crise e desconfiança da sociedade, políticos e a comunidade internacional. Ação Econômica: PIB de apenas 0,1 em 2014, falta de credibilidade nas atitudes da presidente, escolha dos ministros - (ação política), aumento de impostos e taxas, inflação alta acima da meta do governo, diminuição das garantias trabalhistas, volatilidade do câmbio, diminuição da arrecadação tributária gerando menos recursos ao Estado, ( Orçamento prejudicado), déficit das transações correntes e a falta do balanço da Petrobrás (2014), estão gerando incertezas na economia brasileira. Ação Política: O Estado Brasileiro vive uma situação de insegurança política e institucional. O resultado da eleição presidencial chegou a ser questionado por seu adversário pela pouca diferença de votos que levou à reeleição. Esta situação enfraqueceu o início do seu governo e as negociações com o Congresso Nacional. A "Operação Lava Jato", a falta de transparência do governo e as manifestações populares também contribuem para este enfraquecimento. O grupo estratégico da Presidente Dilma Rousseff, formado pelos Ministros: Casa Civil Aloizio Mercadante, Defesa Jaques Wagner, Secretaria Geral da Presidência da República Miguel Rossetto e Justiça José Eduardo Cardozo, não estão conseguindo fazer à articulação política junto ao Congresso Nacional. Com a queda do Ministro Pepe Vargas do Ministério da Relações Institucionais, a presidente Dilma Rousseff passa o comando da articulação política ao vice presidente da República, Michel Temer do PMDB. Já a articulação da economia e de negociação junto ao Congresso Nacional também passa a ser do Ministro da Fazenda Joaquim Levy. Na eleição do presidente da Câmara Federal o governo através dos ministros, Aloizio Mercadante e ex Pepe Vargas, articularam a campanha de apoio ao candidato do PT Arlindo Chinaglia, derrotado, ( terceiro colocado), pelo deputado Eduardo Cunha, PMDB, gerando insatisfação do partido e da oposição. Com a posse do novo presidente da Câmara Federal, deputado Eduardo Cunha, Executivo e Legislativo se estranham e se confrontam na aliança e nas aprovações de leis no Congresso. Outro fator que corroborou para o confronto foi a tentativa da presidente Dilma através do ministro da cidades, Gilberto Kassab de formar um novo partido o PL, para confrontar o PMDB. A presidente Dilma Rousseff perde a articulação e o comando dentro do parlamento. Hoje, o deputado Eduardo Cunha e o senador Renan Calheiros controlam a pauta e a votação no congresso, com apoio da oposição e mesmo de alguns parlamentares do PT. O PMDB pede a saída dos ministros Aloizio Mercadante e já conseguiram a demissão de Pepe Vargas que está indo para o Ministério dos Direitos Humanos. A "Operação Lava Jato", pode acirrar mais os ânimos entre PMDB e governo, porém, a situação é bem favorável ao deputado Eduardo Cunha e o senador Renan Calheiros dependendo de suas estratégias.

Cenário 01: O desgaste do governo da presidente Dilma Rousseff poderá levar o país a uma situação econômica e política jamais vista no país. A segunda pesquisa, (DataFolha), mostra o desempenho de 63% (ruim e péssimo da avaliação do governo). O ministro Joaquim Levy terá seu "time" de minimizar a situação econômica do país, através do ajuste fiscal e apresentar ao mercado nacional e internacional um resultado positivo até o final do ano. Já estamos com um cenário de PIB -1% para 2015, inflação bem acima da meta em torno de 9% ao final do ano, câmbio desvalorizado, taxa de desemprego elevada (7,6% atual) e será agravada a situação econômica nos próximos meses em decorrência do ajuste fiscal, (meta 1,2% do PIB no final ano). Se o ano fechasse hoje, não conseguiria o ajuste fiscal e fecharia em 0,8% do PIB. As agências de riscos estão monitorando a economia e a política nacional, dando um voto de confiança ao ministro da fazenda. No segundo semestre, (setembro ou outubro), as agências tomaram suas decisões e rebaixaram a nota de risco do Brasil, caso as variáveis sejam constantes. Na política deveremos ver os interesses sub divididos entre o governo (PT), Michel Temer (PMDB), Renan Calheiros (PMDB) e Eduardo Cunha (PMDB), buscando seus objetivos partidários e pessoais. A oposição liderada pelo PSDB também ficará enfraquecida pela sua apatia e não participação nas manifestações populares. Os protestos populares ainda não atingem diretamente o PMDB e sim se concentram contrários a presidente Dilma Rousseff, o ex presidente Lula e o PT. O norte principalmente para o deputado Eduardo Cunha será cumprir o papel de oposição contra o governo, já visando as eleições para prefeitos no próximo ano e também já visualiza seu futuro para uma candidatura até a presidência da república. O senador Renan Calheiros não definiu seu futuro e continuará jogando entre o governo e a oposição, buscando seus objetivos próprios. Porém, deverá ficar atento a sua situação na "Operação Lava Jato". (Já renunciou ao cargo de senador por denúncias de corrupção, 2007). Já o vice presidente Michel Temer sabe que seu cacife dentro do partido, PMDB, já não é mais o que já foi. Vai procurar articular a sua própria sobrevivência, pois com o governo desgastado na política e na economia, terá à oposição dos presidentes do Senado e da Câmara, e se confirmando o fim do governo terá apenas uma opção, deixar à articulação política do governo. Com a saída do vice presidente Michel Temer da coordenação política , rebaixamento da nota Brasil no segundo semestre, queda acentuada da economia e da popularidade, "Operação Lava Jato", indiciando e prendendo mais corruptos e corruptores e os mesmos fazendo delações e leniências contra o governo e o PT, o governo e a presidente ficarão fragilizados e a possibilidade de renúncia será evidente.

Cenário 02: O governo tentará convencer o Congresso Nacional e a população à entender a situação do país e o ajuste fiscal, e dará uma expectativa de melhoras a partir do final do ano recomeçando o crescimento sustentável. Com este cenário a situação política será mais amena com o Congresso Nacional, pois os presidentes da Câmara e Senado farão uma composição com o governo através do vice presidente Michel Temer, fortalecendo o PMDB e enfraquecendo o PT e PSDB. A situação da "Operação Lava a Jato", se arrastará por alguns anos e alguns políticos serão condenados e presos juntos com os corruptores, mas os "acordos" deixaram os principais políticos fora deste processo e serão absorvidos. A presidente Dilma Rousseff e seus ministros continuarão no governo até o final de 2017, porém enfraquecidos e sem poder político e governamental. Neste cenário, o PMDB será o grande vencedor na política, ficando com os maiores ministérios, secretarias de segundo e terceiro escalão e no próximo ano, (eleições municipais), aumentará suas bases e suas prefeituras, já visualizando 2018 nas campanhas presidencial, governos estaduais e Congresso Nacional.

Com uma melhora econômica, (cenário 02), a população brasileira continuará revoltada mas ficará mais segura com a volta do emprego, da melhora social e as condições macroeconômicas.

Mas continuaremos sem a segurança e a força do Estado, como Maquiavel pregoava.

Autor: Ricardo Ferreira Gennari