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14/03/2017

Atentados tambm podem matar empresas por falta de protocolos de crise e contingncia


Atentados também podem matar empresas por falta de protocolos de crise e contingência

 

*Por Ricardo Ferreira Gennari

 

Logo após a 2ª Guerra Mundial, as grandes nações, além de suas empresas, buscaram desenvolvimento por meio da educação, inovação e tecnologia. Com o aumento da riqueza mundial apareceram também as nações periféricas e pobres, com dificuldades básicas e um desemprego crescente.

A mudança de paradigma do século XXI foi o atentado terrorista nos Estados Unidos, em 11 de Setembro de 2001. A geopolítica mundial transformou-se e o cenário revelado, pós-atentado, apresentou ameaças e vulnerabilidades. Desse modo, começamos a assistir, nas redes de comunicação, a cobertura, muitas vezes em tempo real, de guerras irregulares, conflitos, atentados terroristas, crime organizado e grandes catástrofes.

Todavia, com todas estas transformações, as nações lançaram mão de medidas e de contramedidas para se protegerem por intermédio de leis, regras e resoluções internacionais. E as empresas, o que fizeram?

Nações periféricas apresentam grandes problemas econômicos, sociais e políticos. Grandes são os investimentos empresariais nestes países gerando receita e lucros, mas a falta de estrutura, o aumento da violência, as manifestações “populares” de grupos escusos nas quebradeiras do patrimônio privado, além do crime organizado, terrorismo e as catástrofes, elevam significativamente o número de riscos.

Depois dos atentados terroristas nos Estados Unidos, o governo norte-americano, apresentou uma série de empresas parceiras (importadoras e exportadoras) para o país em um programa chamado C-TPAT : Customs Trade Partnership Against Terrorism, que tem como objetivo identificar as ameaças e vulnerabilidades, mitigando os riscos contra o Estado. Mas, qual a importância deste programa para a empresa que exporta para os Estados Unidos? O programa reduz os exames dos containers e as inspeções de linhas, e ainda diminui o tempo nos portos, conta com acesso aos lanes gratuitos e seguro do comércio rápido nas fronteiras terrestres. Com isso, as empresas exportadoras diminuem os custos operacionais de desembarque de seus produtos, aumentam a segurança da cadeia logística, ganham reconhecimento de parcerias comerciais e têm prioridades em fazer negócios com empresas americanas em caso de catástrofes naturais e atentados terroristas.

O mercado financeiro também deve se preparar para estes óbices que afetam diretamente seus negócios. A questão do crime organizado e do terrorismo faz com que os bancos públicos e privados se preparem para o combate à corrupção, à lavagem de dinheiro para o terrorismo e ao crime organizado.

O Fundo Monetário Internacional (FMI), por meio da ação ”Anti-Money Laundering/Combating the Financing of Terrorism”, propõe normas e regulamentos aos bancos centrais dos países participantes para o preparo e o combate ao crime. O Bank for International Settlements (BIS), Basiléia I,II e III, normatiza os riscos operacionais. O Banco Central do Brasil normatiza através da Resolução 3380/2006.

Não obstante, as empresas devem ter as áreas de Compliance e Governança Corporativa prontas para cumprir as normas legais, regulamentares e administrativas. Com estreito relacionamento com os acionistas, a prestação de contas deve ser transparente para com o mercado e trazer a maximização do lucro para a empresa.

Muitas empresas desconhecem os riscos internos e as ameaças e vulnerabilidades externas que poderão destruí-las e acabar com seus negócios.

 É salutar não esquecer que as empresas que povoaram as torres gêmeas derrubadas pelos terroristas, foram fechadas e faliram por falta de protocolos de crise e contingência.

 Preparar e proteger as empresas é mitigar riscos e prejuízos, e aumentar eficiência, produtividade e lucro.

 *Professor Ricardo Ferreira Gennari é especialista em segurança, inteligência e estratégia, com especializações nos Estados Unidos, Israel e Inglaterra e pós-graduações na FGV e na USP